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Filipe de Fiúza integra a nova direcção da Alagamares

Direcção Alagamares 2011-2013
(Casa de Teatro de Sintra em 25 de Outubro de 2011)


«É uma grande felicidade fazer parte da direcção da Associação Cultural Alagamares no biénio 2011-2013, é ao mesmo tempo uma honra e um imenso desafio colaborar ao lado de personalidades que tanto têm dado à cultura de Sintra.»

Filipe de Fiúza

1º Encontro Literário de Sintra



No passado dia 26 de Novembro aconteceu o 1º Encontro Literário de Sintra promovido e organizado pela Associação Cultural Alagamares onde Filipe de Fiúza apresentou a sua obra poética Beliula - Versus Diarium.

Da excelência dos escritores Ana Costa Ribeiro, Ana Martins, António Salles e Luís Bento à emocionante moderação do escritor Miguel Real passando pelo vivo e gracioso público, foi um evento marcante para todos.

Bem-haja Alagamares, bem-haja Sintra.

Entrevista à Alagamares

Entrevista pela ocasião do 1º Encontro Literário de Sintra promovido e organizado pela Associação Cultural Alagamares:

O Filipe assume que se descobriu poeta em Sintra.Como define o que é para si ser poeta?

Ser poeta é ser mensageiro da verdade do universo transformando a Luz em expressão humana. A nossa linguagem limita-nos na revelação de qualquer coisa incomensurável e estridente que é essa Luz, essa verdade que nos é e envolve. Ser poeta é transcender o verbo e ou a razão, é um cumprir de missão divina.

Fale-nos um pouco da sua obra e projectos

Comecei a escrever seriamente aos dezoito anos, o objectivo mínimo foi um verso por dia. Beliula - Versus Diarium nasce assim. Cada dia da minha vida será resumido por um verso que ouso revelar.

Entretanto, tenho terminado desde há um ano e meio outro volume de versus diarium e encontro-me a escrever o terceiro.

Porém, outras obras estão a ser escritas: estou a meio de uma obra onde a composição poética anda em volta do Diabo, do Mal, da sociedade e de todos nós. Tenho a abertura de dois livros, um sobre Deus e outro com explorações solares. O Amor também é já tema. Avançado está também um livro de aforismos mais ou menos poéticos, mais ou menos filosóficos, conselhos de poeta.

Desde há alguns anos que escrevo também prosa poética, pequenos textos, divagações, delírios, verdades, concomitâncias.

Posso ainda avançar que estou a iniciar a tradução da obra de um poeta asiático desconhecido no ocidente e uma teoria a que dei o nome de «Teoria Poética do Universo».

É urgente continuar.

Acha que Portugal é um país de poetas?

Sim, Portugal é um país de poemas e poetas. Portugal é um poema que vem sendo escrito desde há novecentos anos por diferentes tipos de poetas: heróicos, génios, populares, boémios, anónimos, cada um acrescenta um ponto, uma palavra, um significado.

Que poetas portugueses ou estrangeiros o marcaram mais até hoje?

Eu não sou muito de referências, procuro manter-me suficientemente desancorado, contudo há um poeta que amo especialmente: Isidore Ducasse, ou, Conde de Lautreámont. Morreu aos 24 anos em Paris. Deixou-nos Os Cantos de Maldoror, uma obra-prima da literatura universal. Fernando Pessoa e as suas geniais mundividências influenciou-me nos primeiros anos. Conheci Rainer Maria Rilke pela leitura da obra Elegias de Duíno, um dia quando, ao passar a biblioteca pública itenerante pela rua dos lírios em Mem Martins, pude fazer o empréstimo do livro. A partir daí Rilke entrou no meu coração para nunca mais sair. Holderlin chegou mais tarde. Porque não gosto de apegar-me muito às coisas, às pessoas e à vida, continuo sempre na busca incessante do novo. Entrecruzar-me-ei com mais alguns…

Acha que o poeta é um fingidor ou é um ser mais além?

Mais do que um fingidor, o poeta é um criador, um perscrutador cósmico, um ser que sente. É claro que pode criar expressões de fingimento, mas é redudor afirmar apenas que finge. O que é um ser mais além? É alguém louco? É alguém livre de limites ilusórios? Desfiltrado? Um ser que vislumbra em cada gota de vida o universo em movimento?

Acha que o panorama editorial português estimula o aparecimento de novos poetas?

Hoje em dia é muito fácil editar um livro, mas a dificuldade do reconhecimento da obra de um autor, seja poeta ou escritor, que acrescente algo de novo, manter-se-á sempre. Geralmente, os verdadeiros poetas sabem que as suas obras serão reconhecidas postumamente. Andamos sempre em contra ciclo porque é preciso morrer para voltar a nascer.

António Gancho, que conheceu, foi um poeta num exílio sintrense,por obrigação de saúde e tormenta de espírito.Há uma lucidez na poesia?

Digam o que disserem, a genialidade é uma forma de loucura. A loucura é, nalguns casos, um elevado grau de lucidez, é por isso que muitos poetas foram considerados loucos, porque disseram e escreveram aquilo que mais ninguém ousou ou conseguiu pensar ou mesmo sonhar. António Gancho teve tempo demais para não viver, espero que a sua penitência seja um dia consagrada.

Qual deveria ser o papel de associações como a Alagamares na promoção dos valores literários?

A Alagamares, e outras associações do género, porque são entidades desprovidas de carga institucional, podem oferecer algo diferente aos cidadãos devendo mobilizá-los para a cultura literária através de eventos como o Encontro Literário de Sintra. Há muito trabalho a fazer e estou certo de que a cultura deve ser algo mais presente na vida de cada pessoa. A cultura é para descobrir, viver, sentir, construir, criar e imaginar. Algumas ideias seriam promover o cross-booking nos cafés mais emblemáticos das freguesias, organizar ciclos de encontros temáticos em volta das artes sem excluir nenhuma, convidar os artistas, os autores para aparecerem nas ruas, para falarem e motivarem os concidadãos e os turistas a investir mais e mais no valor cultural do concelho e da vila de Sintra, património da humanidade, e por último lançar o saráu das artes, evento onde sem formalismos, todos nós pudessemos conviver e compartilhar o que de melhor há no ser humano: a criatividade.

Parabéns à Alagamares pelo exemplo e pela força de acreditar que a cultura jamais morrerá.

Cortesia de Alagamares

«Beliula» em apresentação no 1º Encontro Literário de Sintra

Dia 26 de Novembro,pelas 21h 30m na Casa de Teatro de Sintra, do Chão de Oliva,na R.Veiga da Cunha,à Estefânea - a Alagamares propõe-se iniciar um ciclo de divulgação de escritores e poetas de Sintra e das causas sintrenses, o qual será moderado nesta sua primeira edição pelo escritor Miguel Real.

Nesta primeira sessão, serão abordadas as temáticas dos modernos caminhos da literatura nacional, com enfoque em nomes que vão surgindo e querendo criar espaço na cena literária.A Alagamares convidou para tanto António Augusto Sales, Ana Martins,Filipe de Fiúza, Luis Bento e Ana Costa Ribeiro para falarem do seu trabalho, em diálogo com os leitores, actuais e futuros, lerem partes da sua obra e divulgarem a mesma.Assim se pensa encorajar novos valores em torno das palavras escritas num contexto de palavras ditas.

OS CONVIDADOS

ANA COSTA RIBEIRO

Ana Costa Ribeiro tem 30 anos, é de Mem Martins e trabalha profissionalmente em enfermagem. Editou recentemente o conto “José, o barqueiro sem água” numa colectânea de contos luso brasileira, e tem outras obras em preparação.Tem um blogue, http://ovozero.wordpress.com/

FILIPE DE FIÚZA

Filipe de Fiúza, nascido em Lisboa, a 14 de Julho de 1983, foi registado na Vila de Sintra dias depois. Filho do povo, viveu vinte e quatro anos em Mem Martins. Passou grande parte da sua infância em Sintra onde pressente ser poeta. Toda a envolvência encantada dos lugares serranos e oceânicos inspiram-lhe experiências poéticas levando-o a descobrir a verdade de um ser perdido, precipitadamente perdido.

Da perdição surgiu, entre a ciência e a arte, durante os seus estudos em engenharia civil e a sua leitura frequente das obras de Rainer Maria Rilke, Isidore Ducasse, Friedrich Holderlin, Fernando Pessoa, Ruy Belo, entre outros, uma crescente compaixão pela humanidade. Em 2003, ao permanecer alguns dias na Casa de Saúde Mental do Telhal na função de voluntário pelos Irmãos de São João de Deus, conhece o poeta António Gancho, com quem troca impressões.

Um acaso secreto do nada é Beliula, a sua primeira obra poética de edição de autor. No momento, o jovem poeta filantropo tem uma obra terminada e em progresso mais seis trabalhos poéticos que lançará futuramente.

LUIS BENTO

Luís Alberto Gonçalves Bento tem 44 anos e uma licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas. Participou esporadicamente nos anos 80 na imprensa. Gere actualmente o blog
http://bento-vai-pra-dentro-bento.blogspot.com/

Fez uma edição de autor através de uma editora independente no Brasil do livro Lusitânia Online, uma súmula de contos seleccionados de crítica de costumes, tendo outros em preparação.

ANA MARTINS

Ana Martins nasceu em Lisboa, Alvalade, no último dia de Verão do carismático ano de ‘63 quando surgem os Beatles e desaparece JFK.

Acredita que de um escritor deve saber-se o que escreve não o que diz, pensa ou é.

Sempre escreveu, nunca poemas, mas cartas a amigos e diários em cadernos de textos intermináveis, rabiscados como esquissos de promissoras telas nunca pintadas.

Dos textos que produz tem livros e artigos de opinião não apresentados (guardados não numa gaveta, mas num disco rígido externo). E há o trabalho que veio a público em forma de artigos em diversas publicações e em dois livros: “Autista, quem…? Eu?” (Centralivros, 2006) e “Contos de Verão” (Coolbooks, 2004).

Mãe de um jovem de 20 anos com Síndrome Autística, dedica-se há muitos anos às questões relacionadas com o autismo e interveio em debates, seminários, conferências, congressos, apresentações, entrevistas, reportagens e mais um par de botas sobre o tema.

Um jovem com autismo refere-se sempre à autora dizendo: “A Ana Martins é a Praia da Nazaré” Foi em busca dessa imagem que partiu sem escrever sobre si nesta Bio, na vã tentativa de reproduzir fotograficamente o que presume possa ser essa sensação aos olhos de seu amigo.

Tem um site http://www.anamartins.com

ANTÓNIO AUGUSTO SALES

Talvez o mais publicado do painel, António Sales, autor duma biografia de António Botto,é já autor de “A Primeira Manhã”, contos, 1964; “Uma longa e estranha pausa” romance, 1970; “Barcelona, cidade na Catalunha” crónicas, 1972, ou ainda “Requiem pelos fieis defuntos”(1976) e “Corpo Enigmático”(1993), entre outros.


Cortesia de Associação Cultural Alagamares