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Das Origens Catacósmicas - Texto Sete





Texto Sete

Dou passos na terra cínzea, sinto o coração bater ao ritmo do fogo. Nos últimos tempos tem havido aragens frias que abafam o calor intenso que o chão irradia. O que está em cima, quando olho, não sei o que é, pois tudo é ainda nebuloso, de um brilhar ofuscante e ilimitado. Tenho um vulcão dentro de mim, sinto rios de fogo pelo meu corpo, arde meu corpo e quando páro, o coração ilumina tudo o que está em volta, como uma estrela caída nesta montanha ainda sem destino.

Dou passos mas o caminho perde-se na cinza e a cinza esvai-se nas aragens que vão chegando. Nos últimos tempos Sintra tem dado à luz estrelas caídas...

Filipe de Fiúza

2015-03-22

(Inédito publicado em www.selene.pt)

Fotografia de Fatalv Argentum

Das Origens Catacósmicas - Texto Seis



Texto Seis

O bálsamo das flores é enorme, jorra de cima a mundividência que arde. As árvores são combates flagrantes entre segredos de silêncio. Mexe, mexe e sintetiza. Assim também cantam os válidos rebentos da sorte – hoje mundo. Sei lá! Aquilo que nasceu, nasceu. Na extraordinária companhia do tecido interglobal do destino desci a escura Rua do Arco em busca de uma Sintra iniciática...

Cada lugar é um apelo à Humanidade.


Filipe de Fiúza

 2012-09-08

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Sergey Fudinenko

Das Origens Catacósmicas - Texto Cinco



Texto Cinco

Liberto-me do sonho. Aquilo que todos precisam é cair. Onde está a revelação atómica das supra-crenças? E o retrato radicular dos espíritos? Vejam bem, sigam a vontade do crepúsculo, fechem a boca. Este lugar existe, este lugar é Sintra. Tudo aqui sobrenavega.

Liberto-me do sonho porque nada acontece de impossível, liberto-me daquilo que todos precisam porque tudo o que cai é invencível.

Filipe de Fiúza

2012-05-30

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Oliveira Costa

Das Origens Catacósmicas - Texto Quatro



Texto Quatro

Do abismo perfeito, da rarefacção do tempo, um bolbo divino caído na terra. Sem que nada o impeça, rebenta naturalmente de luz, esparge-se em magma microcósmico, tanto de tudo ali derramado como concentração participativa.

A razão é um mero caos acíclico, o que nasce não é imaginável, é antes a causa de um método espontâneo tão simples que quase imperceptível.

Sintra é flor de luz, é isto que sinto magnificar-me o ser e a vida.

Filipe de Fiúza

2012-03-21

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Kostenko Anna

Das Origens Catacósmicas - Texto Três


Texto Três

Lua, pedra cósmica, orgão dos cirros ancestrais, eterna guardiã de Sintra. 

Da matéria pendular sortiu no ritmo quérulo e operativo da instalação universal – néctar geonato – a imagem do real, estrutura absorvível de luz pura, o belo corpo da princesa lunar. As transparências eruptivas no solene emergir infinitamente lucilante. Tudo iluminado, feliz. 

Foi o feiticeiro da noite que aprisionou Sintra ao ventre cósmico da madrugada. 

Filipe de Fiúza 

 2011-10-18

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Brian Ripley

Das Origens Catacósmicas - Texto Dois



Texto Dois

Quando penso em Sintra, penso em Luz. Abrem-me o coração estrelas que outrora foram seres de Sintra. Quando sinto Sintra tudo estremece, os grandes sonhos invadem-me a esperança, o passado é todo ele um Deus.

O que é sentir Sintra? É vivificar uma terra de fantasia incorporando a essência inominável do seu espírito. Como que entrando num espectro quântico, o íntimo dos sentidos e da razão ascendem a outro nível de virtuosidade - vibração virgem. Sente-se uma sublevação hipermística, uma abalo ao empirismo e a toda a acção vetusta do quotidiano humano.

Quando penso e sinto Sintra cresce em todo o meu espírito a energia cósmica que ao purificar o presente tem em si o caminho consciente do futuro.

Filipe de Fiúza

2011-07-10

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Живодушныйs

Das Origens Catacósmicas - Texto Um



Texto Um

Belos e pasmados, somos a última aparição do fim porque ser é a medida mais possível do final, beleza abrupta derradeira, pasmo cruel em si como razão primeira.

A vida é a sagrada pasigrafia holocósmica protofluente, é aquele abismo em nós quando queremos não ser e é também o anti-abismo quando já só somos e só queremos ser, é a mãe de todos os ecos universais que podemos sentir onde quer que existamos, é a graça divina que nos alivia o pesar dos sonhos humanos.

Tal como tu, eu estou belo e pasmado porque a vida aparece, aparece e é vida, aparece e quer mais, mas somos a última aparição do fim, encontrarmo-nos é descobrir a razão primeira.

Há um código pasigráfico na ilusão cósmica fluindo variável? Sim, há. O código é decifrável, não hajam dúvidas, porém a nossa beleza e o nosso pasmo prendem-nos à vida, à sagrada criação que somos. O segredo está em nós, somos testemunhas efémeras da razão primeira.

Apenas em um lugar como Sintra poderei decifrar a minha existência, mesmo que tenha de perecer monstro feio e resignado na medida mais possível do final.

Filipe de Fiúza

2011-02-19

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de mustafa yagci

Das Origens Catacósmicas - Texto Zero


Texto Zero

Sintra é um berço de lava adormecida, dormimos num berço de lava adormecida. Há muito, muito, muito tempo, quando Sintra não era Sintra, nós nascemos, descobrimos o primeiro Sol, o primeiro sal oceânico, o primeiro trovão. Há muito, muito, muito tempo, quando nós não eramos nós e o Sol, o sal e o trovão eram apenas sonhos, Sintra nascia muito, muito, muito longe de Sintra.

A ordem instável das coisas estabeleceu, nas ligações puras e duras do acaso coincidente, a criação de um lugar sagrado, nunca antes imaginado, onde todas as orações são uma, onde todas as essências a essência, essa ordem instável das coisas fez desprender da terra aparentemente calma este lugar de culto e com a coragem divina e a força demoníaca fundou vagarosamente a base de um novo templo.

Sintra é um berço de lava adormecida onde dormimos há muito, muito, muito tempo porque também nós nascemos desta lava, nesta terra, que hoje é o nosso lugar sagrado. Este Sol, este oceano, esta Sintra existe porque foi o nosso sonho quando muito, muito, muito longe quisemos um dia ser felizes.


Filipe de Fiúza

2011-02-04

(inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de bogdan