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Doze Provas da Inexistência de Deus






EXCERTO DA OBRA
«Sexto argumento: DEUS NÃO CRIOU SEM MOTIVO; MAS É IMPOSSÍVEL ENCONTRAR UM ÚNICO MOTIVO QUE O LEVASSE A CRIAR.»

«De qualquer forma que se pretenda examiná-la, a criação é inexplicável, enigmática, falha de sentido. 

Há uma coisa que salta à vista de todos: se Deus criou, é impossível admitir que ele tenha realizado este acto grandioso - cujas consequências deviam ser fatalmente proporcionais ao próprio acto, e, por conseguinte, incalculáveis - sem que fosse determinado por uma razão de primeira ordem. 


Pois muito bem. Qual foi essa razão? Por que motivo tomou Deus a resolução de criar? Que motivo o impeliria a isso? Qual seria o seu intuito? Que ideia o perseguiria? Que fim prosseguiria ele? 
Multiplicai, nesta ordem de ideias, as perguntas, gravitai, conforme quiserdes, em torno deste problema, examinai-o em todos os seus aspectos e em todos os sentidos, e eu desafio seja quem for a que o resolva noutro sentido que não seja o das incoerências ou das subtilezas.


Por exemplo: eis uma criança educada na religião cristã. O seu catecismo afirma-lhe, e os seus mestres confirmam, que foi Deus que a criou e que a colocou no mundo. Suponhamos que a criança faz a si própria esta pergunta: - «Porque é que Deus me criou e me lançou no mundo?» - e que quer obter uma resposta judiciosa, racional. Nunca a obterá.


Suponhamos ainda que a criança, confiando na experiência e no saber dos seus educadores, persuadida do carácter sagrado de que eles - padres ou pastores - estão revestidos, possuindo luzes especiais e graças particulares; convencida de que, pela sua santidade, estão mais próximos de Deus e, portanto, melhor iniciados que elas nas verdades reveladas; suponhamos que esta criança tem a curiosidade de perguntar aos seus mestres PORQUE E PARA QUÊ Deus a criou e a pôs no mundo, e eu afirmo que os mestres são incapazes de contestar a esta simples interrogação com uma resposta plausível, sensata.»


pág. 24, 25.

Tudo é Divino


Há uma elasticidade cósmica, se assim lhe posso chamar, que é extremamente enganadora. Dá ao homem a ilusão temporária de que é capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. É aí, na sua própria natureza, que pode e deve praticar-se a transmutação, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto é isto verdade, reconciliando-se com todas as aparências do mal, da fealdade, da mentira e da frustração; a partir de então, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrupção. 

Eu poderia, é certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo é divino. E quando digo tudo, é mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra «transmutação» adquire um sentido ainda maior: pressupõe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da visão divina que possuímos. Com um critério assim, o que nos poderá ainda chocar? 

Henry Miller


Imagem de Suyarts

Lei da Felicidade


«Bom, seremos mentirosos, maus e injustos; sabemo-lo e lamentamo-lo, e essa é a nossa tortura, e talvez por isso nos atormentemos e castiguemos mais do que faria esse Juiz misericordioso que há-de julgar-nos no futuro, mas cujo nome nos é desconhecido. Mas, em compensação, possuímos a ciência, e graças a ela havemos de tornar a encontrar a verdade, e então aceitá-la-emos já em consciência. O saber está acima do sentimento; o conhecimento da vida... acima da própria vida. A ciência há-de torturar-nos omniscientes; a omnisciência conhece todas as leis, e o conhecimento da lei da felicidade... está acima da própria felicidade.»

Fiódor Dostoiévksi

perfeito saber


O perfeito saber entre a incerteza e a imaginação é a vontade de Deus.

Filipe de Fiúza (Nova Deli)

Fotografia de Igor Lihovidov 

Deus sabe


Deus sabe em quantas ocasiões me deito na cama com o desejo e às vezes a esperança de não tornar a acordar, e de manhã abro os olhos, revejo o sol e sinto-me desgraçado. Oh!, não ser eu um maníaco!, não acusar eu o tempo, um terceiro, uma empresa falhada! Então, o insuportável fardo das minhas mágoas, não me pesaria tanto. Desgraçado que eu sou! Sinto, e bem demasiado, que toda a culpa é minha.

A culpa!, não. Trago hoje oculta no meu seio a fonte de todas as desventuras, como aqui trazia outrora a fontes de todas as aventuras. Não sou eu o mesmo homem que dantes bracejava numa inesgotável sensibilidade, que via surgir o paraíso a cada passa e tinha um coração capaz de estreitar no seu amor o mundo inteiro? Mas agora este coração está morto, não brota dele nenhum encanto, os meus olhos estão secos, e os meus sentidos, não mais aliviados por lágrimas refrescadoras, também se tornaram secos e a sua angústia sulca-me a fronte de rugas. Quando sofro!, porque perdi tudo o que dava delícias à vida, essa força divina com a qual criava mundos ao redor de mim. Passou!... Quando da minha janela olho para a remota colina, é um vão que vejo acima dela o sol da manhã atravessar o nevoeiro e brilhar no fundo pacífico do prado, e que a branda ribeira caminha para mim serpenteando por entre os salgueiros despidos de folhas. Toda esta magnífica natureza é para mim fria, inanimada, como uma estampa colorida, e de todo esse espectáculo não posso derramar em mim e fazer passar a cabeça ao coração a menor gota de um sentimento venturoso. O homem total está ali em pé, com a face perante Deus, como um poço seco, como uma selha esvaziada. Muitas vezes me prostei no chão para pedir lágrimas a Deus, como um lavrador pede chuva quando vê por cima da cabeça um céu de bronze e a terra ao redor de si a morrer de sede.

Mas, ah!, sinto-o, Deus não concede chuva e o sol às nossas importunas súplicas, e esses tempos cuja recordação me inquieta, porque eram eles tão felizes, senão por eu respirar o seu sentido com paciência, e recebia com coração agradecido as delícias que sobre mim derramava.

Goethe, in Werther


Fotografia de SEVB

Deus e a Ciência


Sobre a terra dos primeiros tempos o sol brilha desde há milhões de anos.

A perder de vista, apenas distinguimos imensos desertos de lava em fusão que vomitam continuamente colunas de vapores de gás com a altura de vários quilómetros. Pouco a pouco, essas nuvens obscuras acumulam-se para formarem a primeira atmosfera da Terra. Gás carbónico, amoníaco, óxido de carbono, azoto e hidrogénio: essa mistura opaca, mortal, esmaga então o imenso horizonte ainda vazio.

Passam milhões de anos. Lentamente o calor começa a diminuir. A lava forma agora uma pasta ainda morna mas sobre a qual se poderia já caminhar. O primeiro continente acaba de nascer. É então que um acontecimento maior vai romper a monotonia dessa idade recuada: as imensas nuvens que se movem no céu condensam-se e a primeira chuva do mundo começa a cair. Ela vai manter-se durante séculos. A água invade quase todo o planeta, abatendo-se sobre as depressões, até formar o oceano primitivo. Durante centenas de milhares de anos, vagas gigantes vêm quebrar-se na rocha negra.

A Terra, o céu e as águas estão ainda vazios. Contudo, as moléculas primitivas são constatemente mexidas pelas tempestades monstruosas que se desencadeiam, incansavelmente partidas pela formidável radiação ultravioleta do Sol. É nesse estádio que surge o que, retrospectivamente, se assemelha a um milagre: no âmago desse caos, agregam-se moléculas, combinam-se, para formarem progressivamente estruturas estáveis, reflexo de uma ordem. Uma vintena de ácidos aminados existem agora nos oceanos: são os primeiros tijolos de matéria viva.

Hoje encontramos em cada um de nós os longínquos descendentes desses primeiros «habitantes» da Terra.

Deste modo, depois de uma longa e misteriosa ascensão no sentido da complexidade, a primeira célula viva emerge finalmente: a história da consciência vai poder começar.

Mas quanto permanece perturbadora esta questão levantada um dia por um físico: «Como pode um fluxo de energia que se escoa sem finalidade expandir a vida e a consciência no mundo?»


in Deus e a Ciência, Jean Guitton.

fotografia de Oleg Lobachev