Ia a Lua, oclusa em seu esplendor argênteo, quando o luar-te ela te abriu como doce corola, humana planta nocturna, lótus que em ti álacre latejasse, em pleno ser, em perene flor.
A Deusa, Mater benigna, viera beijar-te rasgando o véu do céu que te encobria de ti mesma e da terra que te fez, qual mãe celeste dormente no orbe em que oferente te oferecias.
Candelário,o rito, acesa te apresentou, virgem oferente, pura e pronta, em cálice de néctares na floração nocturna do astro de todo o estro maior.
Vieste de luz aparelhada, invisível como um véu, coroada de brandos luares e de êxtases vestida: o sacerdote, que a si ofereceu, te ofereceu toda.
«O céu brilha. Há um homem que tem a chave. A porta abre e o Sol desvanece. O que aquece não é fogo nem astro, o que aquece é o brilho do amor na saudade. Sorrir. Onde paramos? Avançamos. Há tudo o que é, somos tudo o que somos. O céu brilha. Havia um homem de chave perdida que sorriu ao parar diante da entrada do grande infinito. Qual chave? O Sol nasce.»