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Beijo de pedra incandescente

Na edição Primavera 2012 do jornal online Selene - Culturas de Sintra, o jovem poeta Filipe de Fiúza contribui com o texto Beijo de Pedra Incandescente no âmbito do tema de capa Sintra Vista da Lua, ao lado de textos de autores como Jorge Telles de Menezes, Rodrigo Sobral Cunha, Manuel J. Gandra e João Cruz Alves.

Já disponível online, a presente edição conta também nas áreas habituais de Sintra Lida, Sintra Poética, Sintra Traduzida, Sintra Teatral, Sintra Musical, Sintra Rural, Sintra Utópica e Sintra Orbitante com a participação de autores como George Till, Jorge Bastos da Silva, Mater Lacrymarum, Cristóvão da Silva, entre muitos outros.

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«Sintra Romântica, ou Morte!»


«Sintra entrara num ciclo eleitoral, cuja questão mais polémica girava em torno do método a aplicar nas demolições dos horrendos edifícios que a Modernidade legara à romântica vila. O poderosíssimo Partido Vegetariano defendia uma desmontagem peça a peça para evitar a poluição causada pelas implosões puras, como pretendia uma boa parte da oposição. Propunha, além disso, que os mesmos edificíos fossem reconstruídos no Parque Holográfico da Modernidade em Mem-Martins, onde não faltariam também pistas simulando as auto-estradas de então, com inúmeras possibilidades reais de acidentes mortais para todos os saudosistas. Tendo como base de apoio os agricultures cibernéticos da chamada Primeira Cintura Biológica, a qual correspondia à maior densidade de granjas e conventos medievais reconstituídos da Celtibéria, o Partido Vegetariano recolhia também vastos apoios no interior de outros partidos, movimentos e igrejas, como o Partido dos Artistas, o Clube das Bruxas, o Partido Imperial Saloio, a Academia Romântica, e até junto do Partido do Sétimo Selo. O núcleo duro da oposição era constituído pelo Partido dos Antigos Partidos, defensor dos valores antigos da Modernidade e pelo pequeno mais activo Partido dos Cabeça de Pedra. O Partido da Independência e o Partido Imperial Saloio funcionavam como o fiel da balança institucional, apoiando quase sempre o Partido Vegetariano nas suas decisões, mas garantindo igualmente os direitos da oposição, com a qual, pontualmente, não receavam convergir. Estes dois partidos eram os herdeiros e os guardiães do espírito da independência do Movimento Radical Romântico que há muitos anos conduzira ao famoso pronunciamento da Peninha: «Sintra Romântica, ou Morte!»
Este primeiro século de independência levara a mítica Vila a um desenvolvimento esplendoroso. A extraordinária revolução da destruição dos subúrbios e a subsequente conversão agrícola das terras mais ricas do jovem estado, a criação da famosa Primeira Cintura Biológica, o desenvolvimento de milhares de caminhos vicinais numa rede de vias de comunicação não poluentes, a abertura de inúmeros quiosques de comunicações globais que cobriam o vasto território do Império Saloio, que confinava a Norte com a Ericeira e a Sul com Cascais, a aplicação do princípio da circulação permanente a uma eficiente e exemplar rede de transportes públicos, toda essa fantástica infra-estrutura que oferecia aos orgulhosos Sintrenses algo que excedia todas as qualificações conhecidas como qualidade de vida, constituía a base sólida da criação de riqueza nacional: a mais variada e rica produção hortícola da Casa da Europa e a mais frenética e avançada indústria cibernética de comunicações globais.»

In Novelos de Sintra, Jorge Telles de Menezes