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Yevgeny Zamyatin



“There is no final one; revolutions are infinite.” 
― Yevgeny Zamyatin, We

Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá


«Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.

O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido. 

O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.»

Charles Chaplin

Filipe de Fiúza ao lado da poeta Aayat Al-Qormozi - Presa por ter escrito um poema


Em Português

Querida Aayat Al-Qormozi, esta mensagem é para manifestar todo o meu apoio incondicional à tua nobre missão de poeta e promotora de valores de harmonia e paz, justiça e liberdade, amor e compaixão. Por favor, recebe do meu coração um feixe da Grande Luz Universal para que continues a lutar pela dignidade dos seres humanos. Estou contigo.

In English

Dear Al-Aayat Qormozi, this message is to show all my unconditional support for your noble mission of poet and promoter of values ​​of harmony and peace, justice and freedom, love and compassion. Please receive from my heart a beam of the great universal light so that you continue to fight for the dignity of human beings. I'm with you.

Filipe de Fiúza

(Poeta Português/Portuguese Poet)

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Artigo Amnistia Internacional

Aayat Al-Qormozi é uma estudante de 20 anos da Universidade do Bahrein, que se encontra em risco de ser presa por ter escrito e declamado poemas críticos do seu governo durante uma manifestação.

Quando participava num comício pró-reforma na capital do Bahrein em 2011, Aayat leu um poema feito por ela que criticava o rei e no dia seguinte leu novamente em público um poema criticando, desta vez, o Primeiro-Ministro.

A 30 de março de 2011, Aayat foi obrigada a entregar-se à polícia, depois de homens encapuçados terem revistado a casa dos seus país e ameaçado de morte os seus irmãos.

Nos primeiros quinze dias de prisão, Aayat esteve incomunicável. Durante este período, a estudante diz que foi espancada e torturada com choques elétricos na cara, ameaçada de violação e mantida em solitária por mais de nove dias. A 23 de abril foi então levada para um local desconhecido onde foi forçada a assinar documentos e a gravar um vídeo em que pedia desculpas ao rei e ao Primeiro-Ministro. Este vídeo foi mais tarde transmitido na televisão nacional do Bahrein.

Em 2 junho de 2011 Aayat foi levada a tribunal e autorizada a ver a sua família pela primeira vez desde a sua detenção, dez dias depois foi condenada a um ano de prisão por incitamento ao ódio, participação em protestos ilegais e por perturbar a segurança pública.
Um mês depois Aayat saiu em liberdade condicional depois de aceitar assinar documentos, alegando que gozava de boa saúde durante o período de detenção e comprometendo-se a não voltar a participar em manifestações públicas e a não criticar o governo, sob o risco de ser novamente presa. Aayat ainda não recebeu qualquer esclarecimento da sua situação legal e ainda não conseguiu retomar os estudos. A Amnistia Internacional pretende que a sua condenação seja anulada e que qualquer outra acusação pendente seja retirada.

Assina o apelo para o Rei do Bahrein, Sua Majestade Shaikh Hamad bin ‘Issa Al Khalifa:
- agradecendo a libertação de Aayat Al-Qormozi, mas instando as autoridades a esclarecer a sua situação legal e a retirar quaisquer condições à sua libertação, bem como as limitações impostas à sua liberdade de expressão, associação e reunião;
- instando as autoridades a anularem a sua condenação e a retirarem quaisquer acusações pendentes contra ela;
- pedindo às autoridades que divulguem publicamente o resultado da investigação feita quanto às alegações de tortura e maus tratos e que levem os responsáveis perante a justiça;
- requerendo que Aayat al-Qormozi possa continuar os seus estudos e;
- por fim instando as autoridades a respeitarem o direito à liberdade de expressão, de reunião e de movimentos no Bahrein, incluindo o direito a protestar pacificamente.

Assinar Petição: Amnistia Internacional

livre-arbítrio-livre


Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo. Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer. Em terceiro lugar, é livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar através da vida e de chegar assim a ele próprio e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida. São esses os três aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.

Franz Kafka

Fotografia de Berenice Kauffmann Abud