Há coisas que não conseguimos interromper
Fotografia de Reda Danaf
A Compra da República
Giovanni Papini
Fotografia de Alexandr Zakoldaev
Mundo revolucionado

Revolucionário ou reformador - o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o seu próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.
O homem de sensibilidade justa e recta razão, se se acha preocupado com o mal e a injustiça do mundo, busca naturalmente emendá-la, primeiro, naquilo em que ela mais perto se manifesta; e encontrará isso em seu próprio ser. Levar-lhe-á essa obra toda a vida.
Tudo para nós está em nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito de mundo é modificar o mundo para nós, isto é, é modificar o mundo, pois ele nunca será, para nós, senão o que é para nós. Aquela justiça íntima pela qual escrevemos uma página fluente e bela, aquela reformação verdadeira, pela qual tornamos a vida a nossa sensibilidade morta - essas coisas são a verdade, a nossa verdade, a única verdade. O mais que há no mundo é paisagem, molduras que enquadram sensações nossas, encadernações do que pensamos. E é-o quer seja a paisagem colorida das coisas e dos seres - os campos, as casas, os cartazes e os trajos - quer seja a paisagem incolor das almas monótonas, subindo um momento à superfície em palavras velhas e gestos gastos, descendo outra vez ao fundo na estupidez fundamental da expressão humana.
Revolução? Mudança? O que eu quero deveras, com toda a intimidade da minha alma, é que cessem as nuvens átonas que ensaboam cinzentamente o céu; o que eu quero é ver o azul começar a surgir de entre elas, verdade certa e clara porque nada é nem quer.
Fernando Pessoa
Fotografia de Praviсk Sergej
Mudo desespero

«A maioria dos homens leva uma vida de mudo desespero. O que é apelidado de resignação é na verdade um desespero incurável. Mudais-vos da cidade desesperada para o campo desesperado e tendes de vos consolar com a bravura das martas e dos ratos almiscarados. Um desespero estereotipado, porém inconsciente, é ocultado até na sombra dos chamados jogos e diversões da humanidade. Não há neles diversão, já que acontecem após o trabalho. Contudo, é uma característica da sabedoria não fazer coisas desesperadas.»
Henry David Thoreau
Fotografia de Alexandr Zakoldaev
Filipe de Fiúza integra o Movimento Poetas do Mundo

O jovem poeta português integrou recentemente o movimento Poetas do Mundo no qual participam autores da Ásia, Mundo Árabe, Europa, África, Oceania e América.
«Poetas do Mundo, é chegada a hora exata para unir nossas forças na defesa da continuação da vida: somos guerreiros da paz e mensageiros dessa nova história para da humanidade. Somos os poetas da luz – veículo que nos conduz para levar o chamado de alerta de que não podemos nos furtar. Atravessamos a morte de um período degenerado das eras, e assistiremos o nascimento de uma NOVA ERA – para a qual, nós, os poetas, recebemos nossos dons, nossas missões e obrigações. A humanidade vive momentos decisivos de luta pela sobrevivência, mas ainda não acordou para o fato de estar caminhando rumo a um precipício, direto para a extinção. Urge que tomemos o leme e mudemos o caminho para a elevação coletiva, para que recuperemos o patrimônio da vida como dom universal e direito de todos.»
Primeiro parágrafo do Manifesto Universal dos Poetas do Mundo
Podcast Filipe de Fiuza

A primeira vez
As pérolas magnas do abismosobresaiem-me dos lábios
que rossam a pele
das jibóias em escarpa
como se a luz do mundo
levasse Deus nos braços.
O meu anjo regressa
no instante feérico
do segredo da arte.
Filipe de Fiúza
- Poeta, Engenheiro e Activista que acredita que «A Imaginação é Deus.».



