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Morri



Morri
já não sou
morri
porque fui
morri
ontem de manhã
morri
naquele quarto
morri
para que tudo
volte a nascer
do meu corpo
morri.

________________________________________________

english version


I died
I am no longer
I died
because I was
I died
yesterday morning
I died
in that room
I died
so that everything
be born again
of my body
I died.



inédito

Filipe de Fiúza

tradução pelo autor

fotografia :: kids-room

«Coroai de Rosas» - Árum



«Coroai de Rosas» de Filipe de Fiúza (confessado) from Filipe de Fiúza on Vimeo.

«Coroai de Rosas» de Filipe de Fiúza (cantado) from Filipe de Fiúza on Vimeo.

Poema inaugural da nova obra poética de Filipe de Fiúza, «Coroai de Rosas».

Poema a Paulo Brito e Abreu





Poema a Paulo Brito e Abreu


Avé Oh Mestre!

Grã-artífice da palavra
És salvado e a salvação
Dos peregrinos herméticos
Na voz da escuridão.

Avé Oh Mestre!

Alma eterna predestinada
À glória da exaltação
Do povo da grande luz
que na felicidade dos céus
Te lavraram nesta terra
Para trazeres a liberdade anunciada.


Filipe de Fiúza


poema inédito escrito em 21 de Fevereiro 2016 na presença do poeta, Sintra

Theosophia





THEOSOPHIA

( avoco, para a Musa minha, o Arcano e Arcaico do Carro da Vitória )

de todo o coração, ao Filipe de Fiúza

Todo o Nume já passa pelo nome,
Seja Júpiter, Zeus ou Jeová.
O fármaco da Graça é dela a fome,
O âmago de Amor é Ámon Ra.

E dorme na Diana o deus Apolo,
E as rosas são Vénus e a Via.
Tu és lauta liança, e tu queres colo.
Tu repousas nos braços de Maria.

IN HERBIS ET IN VERBIS


PAULO JORGE BRITO E ABREU

O Perdão



O Perdão

Perdoe-me Senhor
Avé ignorância vivida
Sou estro de amor
Aquele d'alma perdida.

Perdoe-nos Senhor
Avé a tudo de bem
Pois sofremos a dor
Do mistério d'além.

Perdoe-lhes Senhor
Avé sempre a caminho
De um sonho redentor
Contigo ninguém é sozinho.

Eis-nos diante da luz
Na tua voz somos o fim
E o nada que no pó reluz
Somos dádiva de ti assim.


24.12.2015, poema inédito

Filipe de Fiúza

Farei voar-me longe



farei voar-me longe
como lanças de lyra
nesse haver dos sóis
super natural chegar
assim mágica alegria

tradução do autor

I will fly me away
as spears of lyra
in that having suns
super natural arrive
thus magical joy


Filipe de Fiúza

Inédito - excerto de obra em produção

Tomas Tranströmer




PÁSSAROS MATINAIS

Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.

Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.

Não há vazios por aqui.

Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta que como foi caluniado
até na Direcção.

Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:

Não há vazios por aqui.

É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.

Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

(1966)

Minha alma abriu-se...



Sebastião da Gama no Convento da Arrábida






Minha alma abriu-se...
Que linda janela
que é a minha alma!
Não!, linda não é ela:
lindas são as vistas
que se avistam dela.
.
Que ouvidos tão finos
que tem a minha alma!
Não!, finos não:
finos são os cantos
que os pássaros cantam,
meus ouvidos ouvem.
.
Como são tão belas
as coisas lá por fora!
Minha alma em tudo,
em tudo se demora.
.
Que ouvidos tão finos!
Que linda janela!
Quem me compra a alma?
Quanto dá por ela?


Sebastião da Gama

in."Cabo da Boa Esperança"
Edições Ática - Outubro/59

A poesia nunca existiu




A Poesia Nunca Existiu


Esta noite,
A poesia mente se lhe pedirmos algo

Não sou quem ledes
Nem trago um mapa de loucura que leve
À imagem. A poesia é impossível
Ou um conhecido impossível de encontrar
se tivermos uma fotografia na carteira
Nem penteada nem sorridente em deveras
palavras mais perfeitas que outras ditas,
situações que não cabe no belo escrever:
de mortes de dignidade com sal calibrado de dia;
Insanidade que se esconde em armários
De fatos conscientes arfando vivaria
E não se conhece deus que a comente

Poesia doente como todas
Breton com angústias transparentes
aladas de papel e azul esquecidas
numa tela puxando-me de si
que não estou senão vivo na pele,
Um carro de duas portas de saída para dentro
Implodindo élans como roldanas de árvores sem ovos
nem casca; volvem-nas êmbolos de tempestade
Quentes na nuca da vontade sem o brio

Ainda deslizas, esfera?!
Nem musa de gladílios em punho
Nem leituras que possam recordar o poema reminescente...

Meu amigo,
Desta vez falta o composto que gozes:
A criatura tem a corda evidente no pescoço
Tebas cai e a Grécia é Romana sem couros de armaduras
Ou ouros de filósofos e templos com bases construídas no ar!
Dentes e soldados convencidos; Cítaras d'alabastro!
Nem a morte se exprime nas vidas daqui
Nem há delirar corrente
Ou mais que algo mais que não se sabe se é

Mas há frustração que baste
A consciência conquista a falta de produto.
A poesia torna-se crível como um homem que fala constantemente
E morreu, por nunca ter existido
Na língua óbvia do cansaço como uma adivinha

Ponto final



Nuno de Jesus

Sintra, 1998

Fotografia de Wahid Nour eldin





Transição





1.

sabes, walt,
um livro nunca terá a dimensão de uma vida ou
de um corpo,
nem as suas palavras estremecem como estremece
um lago, um rio ou um oceano

são dimensões opostas:
a linguagem e a natural visceralidade do
poema,
um poema sem imaginação,
mas com toda a intensidade de quem não espera mais nada
senão o próprio desejo de
viver,

de quem não escreve mais nada
senão essa convicção plena
que matar é sinónimo de 

[tornar escura essa voz].



por Jorge Vicente

http://jorgevicente.blogspot.pt/

Tea Invitation






Ibtisam Barakat






English Version


I write
for my heart
has become
a country
and I want
all people
to live in it.

I make space
by emptying
all corners
of fear.

I make peace
by making
a cup of tea
for my story
and yours.

A cup of tea
for our estranged
histories
that come from
one family
but to one another
do not speak.

Hot tea and mint.
I have meant
to invite you over
to my heart.

Do you like your tea
with sugar?





Fotografia de mim 

Primordial Chaos










Li Sen



English Version


Time, so many cobblestones
placed in wilderness,
so much sand ground fine.
How many stones, how much sand
hidden out of sight?
I have been looking for the book of incantations
but it seems it has long since turned to ash.
I have gazed into many eyes, all vague and absorbed.
I once stopped at a shrine built by others,
poured out my heart.
But the shrine was a pile of sand and stones
a long shallow pit
with nothing inside
not even a feather.

(Translated by Wang Ho and Steven Schroeder. Reprinted from Chinese Windmill, Virtual Artists Collective, 2007.)


Fotografia de Александр Ларионов