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Ruínas



I

E é triste ver assim ir desfolhando,
Vê-las levadas na amplidão do ar,
As ilusões que andámos levantando
Sobre o peito das mães, o eterno altar.

Nem sabe a gente já como, nem quando,
Há-de a nossa alma um dia descansar!
Que as almas vão perdidas, vão boiando
Nesta corrente eléctrica do mar!...

Ó ciência, minha amante, ó sonho belo!
És fria como a folha dum cutelo...
Nunca o teu lábio conheceu piedade!

Mas caia embora o velho paraíso,
Caia a fé, caia Deus! sendo preciso,
Em nome do Direito e da Verdade.

II

Morreu-me a luz da crença — alva cecém,
Pálida virgem de luzentas tranças
Dorme agora na campa das crianças,
Onde eu quisera repousar também.

A graça, as ilusões, o amor, a unção,
Doiradas catedrais do meu passado,
Tudo caiu desfeito, escalavrado
Nos tremendos combates da razão.

Perdida a fé, esse imortal abrigo,
Fiquei sozinho como herói antigo
Batalhando sem elmo e sem escudo.

A implacável, a rígida ciência
Deixou-me unicamente a Providência,
Mas, deixando-me Deus, deixou-me tudo.

Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'

Fotografia «Ruína na Praia das Maçãs» de Filipe de Fiúza

Filipe de Fiúza lança projecto cívico Sintra em Ruínas


No início de 2012, o poeta e engenheiro Filipe de Fiúza inaugurou o projecto cívico Sintra em Ruínas que pretende dar atenção a todo o património sintrense em mau estado de conservação explorando o potencial da Internet e das novas redes sociais procurando ao mesmo tempo registar, organizar, mapear e propor informalmente algumas medidas de recuperação desse património.

Este projecto visa não só o património histórico em abandono mas também muitos casos de na zona urbana e rural do concelho de Sintra. No arranque da iniciativa pode-se ver alguns dos casos mais degradantes do centro histórico da vila de Sintra, como é o caso da Vivenda Anna, Casal do Rio do Porto, Casa da Gandarinha, entre outros.

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