Mostrar mensagens com a etiqueta Sintra. Mostrar todas as mensagens

Apresentação Pública: ÁRUM, MU.SA, Museu das Artes de Sintra, 24 de Maio pelas 18 horas



Apresentação Pública: obra poética ÁRUM, MU.SA, 24 de Maio 2019 pelas 18 horas

Sejam bem-vindos!

Apresentação de LIBER MUNDI - MU.SA Museu das Artes de Sintra | 12.11.2016 | 16horas



PRESENTATION OF «LIBER MUNDI» - collection of essays , poetry and philosophy.

Please, be welcome to my new book presentation LIBER MUNDI, next 12th November at MU.SA - Museum of Sintra Arts, at 4 p.m.

I and the poet Paulo Brito e Abreu will try hard to make your moments uniques because We Love Poetry.
________________________________________________

APRESENTAÇÃO DE «LIBER MUNDI» - colectânea ensaística, poética e filosófica.

Por favor, seja bem-vindo(a) à apresentação do meu livro LIBER MUNDI no próximo dia 12 de Novembro no MU.SA - Museu das Artes de Sintra, pelas 16 horas.

Eu e o poeta Paulo Brito e Abreu tentaremos o melhor para fazer os seus momentos únicos porque Nós Amamos a Poesia.

www.filipedefiuza.pt

www.pjbritoeabreu.pt

Das Origens Catacósmicas - Texto Sete





Texto Sete

Dou passos na terra cínzea, sinto o coração bater ao ritmo do fogo. Nos últimos tempos tem havido aragens frias que abafam o calor intenso que o chão irradia. O que está em cima, quando olho, não sei o que é, pois tudo é ainda nebuloso, de um brilhar ofuscante e ilimitado. Tenho um vulcão dentro de mim, sinto rios de fogo pelo meu corpo, arde meu corpo e quando páro, o coração ilumina tudo o que está em volta, como uma estrela caída nesta montanha ainda sem destino.

Dou passos mas o caminho perde-se na cinza e a cinza esvai-se nas aragens que vão chegando. Nos últimos tempos Sintra tem dado à luz estrelas caídas...

Filipe de Fiúza

2015-03-22

(Inédito publicado em www.selene.pt)

Fotografia de Fatalv Argentum

Das Origens Catacósmicas - Texto Seis



Texto Seis

O bálsamo das flores é enorme, jorra de cima a mundividência que arde. As árvores são combates flagrantes entre segredos de silêncio. Mexe, mexe e sintetiza. Assim também cantam os válidos rebentos da sorte – hoje mundo. Sei lá! Aquilo que nasceu, nasceu. Na extraordinária companhia do tecido interglobal do destino desci a escura Rua do Arco em busca de uma Sintra iniciática...

Cada lugar é um apelo à Humanidade.


Filipe de Fiúza

 2012-09-08

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Sergey Fudinenko

Das Origens Catacósmicas - Texto Cinco



Texto Cinco

Liberto-me do sonho. Aquilo que todos precisam é cair. Onde está a revelação atómica das supra-crenças? E o retrato radicular dos espíritos? Vejam bem, sigam a vontade do crepúsculo, fechem a boca. Este lugar existe, este lugar é Sintra. Tudo aqui sobrenavega.

Liberto-me do sonho porque nada acontece de impossível, liberto-me daquilo que todos precisam porque tudo o que cai é invencível.

Filipe de Fiúza

2012-05-30

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Oliveira Costa

Das Origens Catacósmicas - Texto Quatro



Texto Quatro

Do abismo perfeito, da rarefacção do tempo, um bolbo divino caído na terra. Sem que nada o impeça, rebenta naturalmente de luz, esparge-se em magma microcósmico, tanto de tudo ali derramado como concentração participativa.

A razão é um mero caos acíclico, o que nasce não é imaginável, é antes a causa de um método espontâneo tão simples que quase imperceptível.

Sintra é flor de luz, é isto que sinto magnificar-me o ser e a vida.

Filipe de Fiúza

2012-03-21

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Kostenko Anna

Das Origens Catacósmicas - Texto Três


Texto Três

Lua, pedra cósmica, orgão dos cirros ancestrais, eterna guardiã de Sintra. 

Da matéria pendular sortiu no ritmo quérulo e operativo da instalação universal – néctar geonato – a imagem do real, estrutura absorvível de luz pura, o belo corpo da princesa lunar. As transparências eruptivas no solene emergir infinitamente lucilante. Tudo iluminado, feliz. 

Foi o feiticeiro da noite que aprisionou Sintra ao ventre cósmico da madrugada. 

Filipe de Fiúza 

 2011-10-18

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Brian Ripley

Das Origens Catacósmicas - Texto Dois



Texto Dois

Quando penso em Sintra, penso em Luz. Abrem-me o coração estrelas que outrora foram seres de Sintra. Quando sinto Sintra tudo estremece, os grandes sonhos invadem-me a esperança, o passado é todo ele um Deus.

O que é sentir Sintra? É vivificar uma terra de fantasia incorporando a essência inominável do seu espírito. Como que entrando num espectro quântico, o íntimo dos sentidos e da razão ascendem a outro nível de virtuosidade - vibração virgem. Sente-se uma sublevação hipermística, uma abalo ao empirismo e a toda a acção vetusta do quotidiano humano.

Quando penso e sinto Sintra cresce em todo o meu espírito a energia cósmica que ao purificar o presente tem em si o caminho consciente do futuro.

Filipe de Fiúza

2011-07-10

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de Живодушныйs

Das Origens Catacósmicas - Texto Um



Texto Um

Belos e pasmados, somos a última aparição do fim porque ser é a medida mais possível do final, beleza abrupta derradeira, pasmo cruel em si como razão primeira.

A vida é a sagrada pasigrafia holocósmica protofluente, é aquele abismo em nós quando queremos não ser e é também o anti-abismo quando já só somos e só queremos ser, é a mãe de todos os ecos universais que podemos sentir onde quer que existamos, é a graça divina que nos alivia o pesar dos sonhos humanos.

Tal como tu, eu estou belo e pasmado porque a vida aparece, aparece e é vida, aparece e quer mais, mas somos a última aparição do fim, encontrarmo-nos é descobrir a razão primeira.

Há um código pasigráfico na ilusão cósmica fluindo variável? Sim, há. O código é decifrável, não hajam dúvidas, porém a nossa beleza e o nosso pasmo prendem-nos à vida, à sagrada criação que somos. O segredo está em nós, somos testemunhas efémeras da razão primeira.

Apenas em um lugar como Sintra poderei decifrar a minha existência, mesmo que tenha de perecer monstro feio e resignado na medida mais possível do final.

Filipe de Fiúza

2011-02-19

(Inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de mustafa yagci

Das Origens Catacósmicas - Texto Zero


Texto Zero

Sintra é um berço de lava adormecida, dormimos num berço de lava adormecida. Há muito, muito, muito tempo, quando Sintra não era Sintra, nós nascemos, descobrimos o primeiro Sol, o primeiro sal oceânico, o primeiro trovão. Há muito, muito, muito tempo, quando nós não eramos nós e o Sol, o sal e o trovão eram apenas sonhos, Sintra nascia muito, muito, muito longe de Sintra.

A ordem instável das coisas estabeleceu, nas ligações puras e duras do acaso coincidente, a criação de um lugar sagrado, nunca antes imaginado, onde todas as orações são uma, onde todas as essências a essência, essa ordem instável das coisas fez desprender da terra aparentemente calma este lugar de culto e com a coragem divina e a força demoníaca fundou vagarosamente a base de um novo templo.

Sintra é um berço de lava adormecida onde dormimos há muito, muito, muito tempo porque também nós nascemos desta lava, nesta terra, que hoje é o nosso lugar sagrado. Este Sol, este oceano, esta Sintra existe porque foi o nosso sonho quando muito, muito, muito longe quisemos um dia ser felizes.


Filipe de Fiúza

2011-02-04

(inédito publicado em www.selene-culturasdesintra.com)

Fotografia de bogdan

A poesia nunca existiu




A Poesia Nunca Existiu


Esta noite,
A poesia mente se lhe pedirmos algo

Não sou quem ledes
Nem trago um mapa de loucura que leve
À imagem. A poesia é impossível
Ou um conhecido impossível de encontrar
se tivermos uma fotografia na carteira
Nem penteada nem sorridente em deveras
palavras mais perfeitas que outras ditas,
situações que não cabe no belo escrever:
de mortes de dignidade com sal calibrado de dia;
Insanidade que se esconde em armários
De fatos conscientes arfando vivaria
E não se conhece deus que a comente

Poesia doente como todas
Breton com angústias transparentes
aladas de papel e azul esquecidas
numa tela puxando-me de si
que não estou senão vivo na pele,
Um carro de duas portas de saída para dentro
Implodindo élans como roldanas de árvores sem ovos
nem casca; volvem-nas êmbolos de tempestade
Quentes na nuca da vontade sem o brio

Ainda deslizas, esfera?!
Nem musa de gladílios em punho
Nem leituras que possam recordar o poema reminescente...

Meu amigo,
Desta vez falta o composto que gozes:
A criatura tem a corda evidente no pescoço
Tebas cai e a Grécia é Romana sem couros de armaduras
Ou ouros de filósofos e templos com bases construídas no ar!
Dentes e soldados convencidos; Cítaras d'alabastro!
Nem a morte se exprime nas vidas daqui
Nem há delirar corrente
Ou mais que algo mais que não se sabe se é

Mas há frustração que baste
A consciência conquista a falta de produto.
A poesia torna-se crível como um homem que fala constantemente
E morreu, por nunca ter existido
Na língua óbvia do cansaço como uma adivinha

Ponto final



Nuno de Jesus

Sintra, 1998

Fotografia de Wahid Nour eldin





Transição





1.

sabes, walt,
um livro nunca terá a dimensão de uma vida ou
de um corpo,
nem as suas palavras estremecem como estremece
um lago, um rio ou um oceano

são dimensões opostas:
a linguagem e a natural visceralidade do
poema,
um poema sem imaginação,
mas com toda a intensidade de quem não espera mais nada
senão o próprio desejo de
viver,

de quem não escreve mais nada
senão essa convicção plena
que matar é sinónimo de 

[tornar escura essa voz].



por Jorge Vicente

http://jorgevicente.blogspot.pt/